sábado, 14 de janeiro de 2012

A entrevista, a pesquisa e o íntimo, ou: porque censurar seu diário de campo.


Artigo bastante interessante escrito por Florence Weber acerca dos diversos usos que podemos fazer dos diários de campo e de pesquisa, resquícios de trabalho que, se bem aproveitados podem servir a outros pesquisadores como uma fonte interessante de dados, assim como, ao seu próprio autor como objeto de uma meta-reflexão acerca da construção do próprio conhecimento científico a partir de diferentes itinerários registros escritos. O artigo foi publicado, em português, originalmente na revista Horizontes Antropológicos, número 32.

Resumo: A luz de seus registros de pesquisa a autora busca pensar o processo de construção do texto a partir de diferentes formas de registro, problematizando, assim, o uso que fazemos do diário de campo, do diário de pesquisa e do nosso diário íntimo em diversos momentos de nossa trajetória acadêmica, em especial, quando a este retornamos novamente depois de algum tempo.



segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A construção da narrativa fílmica: tensões entre a narrativa etnográfica e a narrativa imagética na elaboração de um filme etnográfico.

Artigo escrito pelos produtores do vídeo etnográfico "Uma dádiva aos orixás: reafirmando os laços rituais no Batuque em Porto Alegre" e que traz um interessante reflexão sobre o processo de construção de um vídeo etnográfico. Uma primeira versão deste texto foi apresentada no GT 51 da VIII Reunião de Antropologia do Mercosul realizada no ano de 2009 em Buenos Aires.

Resumo: A luz da antropologia, o texto discute o processo de construção da narrativa fílmica, em especial aquela ligada a produção de um video etnográfico, a partir de algumas reflexões sobre o campo das religiões afro-brasileiras e as contribuições que a obra de Paul Ricouer pode oferecer ao antropólogo no trabalho com esse suporte.






domingo, 1 de janeiro de 2012


Grande canção para fechar o ano de 2011 e dar as boas vindas a 2012.


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Skype WiFi


O Skype WiFi que antigamente era chamado de Skype Access chegou, faz poucos meses (08/2011), ao sistema operacional iOS. O qual, já está disponível tanto na App da Apple como na Itunes Storepara download gratuito.

Com o Skype WiFi você pode entrar na Internet direto do seu iPhone, iPad ou iPod Touch através de qualquer rede WiFi do mundo, incluindo hotéis, aeroportos, estações de trem, centros de convenção, bares e restaurantes. E, o melhor, ao  invés de  comprar uma hora inteira, ou um dia inteiro de WiFi,  você só precisa ficar online para ver seus emails ou fazer uma chamada Skype de modo que, com crédito Skype você pode pagar apenas os minutos que você usar. 


O futuro não será protestante

Artigo escrito por Ricardo Mariano no ano de 1999 e publicado na Revista Ciências Sociais e Religião, o qual, constitui parte da pesquisa que realizou para sua Tese de Doutoramento em Sociologia defendida na USP em 2011.

Resumo: O artigo discute, com base no caso brasileiro, a tese de que a América Latina estaria se tornando protestante.





segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A questão da Biopolítica no Agenciamento da Vida Humana, nas perspectivas de Hannah Arendt e Michel Foucault

Excelente artigo de Rogério Luis da Rocha Seixas publicado na Revista Ítaca, n. 11 sobre o título "A questão da Biopolítica no Agenciamento da Vida Humana, nas perspectivas de Hannah Arendt e Michel Foucault".

Resumo: Realiza uma aproximação dos conceitos Hannah Arendt e Michel Foucault a partir da análise das relações de de poder feitas pelos dois autores e as implicações que emanam destas duas linhas de pensamento no que se refere ao modo como, nas sociedades contemporâneas, o sujeito se constitui e é constituído enquanto um agente político.  




domingo, 27 de novembro de 2011

Antropologia Visual: Dicas de leitura

Para quem interessar, passo por aqui para dar a dica de alguns trabalhos bem interessantes da área de Antropologia Visual com os quais tive contato nos últimos tempos e considero uma leitura interessante aqueles que desejam ter um primeiro contato com a referida área: 

Teses:

Autor: José Miguel Nieto Olivar
Título: Guerras, trânsitos e apropriações: políticas da prostituição feminina a partir das experiências de quatro mulheres militantes em Porto Alegre.

Autor: Rafael Victorino Devos
Título: A “questão ambiental” sob a ótica da antropologia dos grupos urbanos, nas ilhas do Parque Estadual Delta do Jacuí, Bairro Arquipélago, Porto Alegre, RS.
Fazer Download

TCC

Autor: Luciano von der Goltz Vianna
Título: Trajetórias de uma geração de praticantes do remo e etnografia das formas de sociabilidade (POA –RS)
Fazer Download



sábado, 23 de julho de 2011

Google Plus: Primeiras impressões


Ao que parece o Google mais uma vez inova em sua nova rede social (G+) onde busca acabar com aquela bagunça do Facebook, onde todo mundo lê as postagens de todo mundo, organizando as pessoas que nos cercam em círculos. Os círculos, por sua vez, servem para restringir e agrupar o acesso a determinados tipos de conteúdos de modo que, aqueles que estão no círculo familiar não veem as postagens que fazemos aos nossos amigos e vice-versa de modo que a comunicação entre os diferentes grupos com os quais interagimos se torna mais fácil e com menos "ruído".

Afinal, acho que a tua mãe não ia gostar de saber que tu passaste mal na festa que fostes na semana passada, assim como, teus amigos não estão interessados nos conselhos de tua mãe e tua avó para ti. Enfim, parece que o Google deu um passo adiante nas redes sociais e deu uma boa organizada na nossa bagunçada vida virtual.

E é claro, se tu tens uma amiga ou namorada que ficava fuçando nas tuas postagens no Orkut e no Facebook, cria um círculo chamado "Fofocas" e ali tu posta tudo aquilo que tu quer divulgar, que quer fazer virar notícia e deixa que ela faça o trabalho de imprensa.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Refrigerantes anti-energia: relaxe com apenas uma latinha

Durante anos, as bebidas foram complementadas com eletrólitos, cafeína, e promessas de energia instantânea. Quem nunca tomou um Red Bull quando precisava ficar acordado até altas horas da madrugada? Agora, a indústria de bebidas apresenta mais uma novidade: os refrigerantes antienergia.

Os novos refrigerantes estão sendo comercializados principalmente nos Estados Unidos, e têm como objetivo relaxar as pessoas após um dia estressante. Marcas como Malava Novacaine, Drank, Unwind, Mary Jane’s Relaxing Soda e Slow Cow são vendidas com a promessa de uma solução rápida para diminuir o ritmo quando as coisas ficam agitadas.

Alguns críticos, no entanto, questionam a segurança de tais produtos, os quais são vendidos em universidades e lojas de conveniência. Como acabaram de chegar ao mercado, não há muitos estudos científicos sobre as bebidas relaxantes, e pesquisadores apontam algumas semelhanças entre o líquido e misturas de drogas e remédios produzidos na rua.

Para Ronald Peters, professor da University of Texas Health Science Center, as bebidas antienergia são uma versão bem acabada das drogas urbanas. “Elas [as bebidas] realmente têm sedativos em sua composição. Torna-se um produto anti-ético”, afirma. Algumas marcas, inclusive, possuem um alerta no rótulo sobre o risco de sonolência e desaconselham dirigir após o consumo dos produtos.

Além disso, a presença de melatonina – um neurohormônio utilizado no tratamento de distúrbios do sono – em diversas bebidas do gênero gera controvérsias. Estudos apontam que a melatonina pode interferir na produção de testosterona, por isso seu consumo não é indicado para garotos até que estes entrem na faculdade. Outros compostos também são questionados como possivelmente perigosos, mas os riscos não foram documentados.

Porém, os fabricantes afirmam que as bebidas são seguras e, além disso, ajudam as pessoas – um dos empresários se refere ao produto como “uma alternativa positiva” para as drogas e o álcool, indicado a qualquer pessoa que precise relaxar após um dia estressante, de estudantes de ensino médio a executivos de Wall Street.

Fonte: http://hypescience.com/

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Revista Publicar


O Colégio de Graduados em Antropologia de la República Argentina comunica a abertura da convocatória anula para apresentação de artigos para a Revista Publicar.

A revista do CGA é uma publicação indexada, de espaço aberto e com tradição pluralista destinada a difundir trabalhos inéditos em todas as áreas da Antropologia.

Para acessar as normas para envio de artigos CLIQUE AQUI.

Para consultas e envio de artigos escrever para: publicar@cgantropologia.org.ar

Data limite para envio de artigos: 21 de fevereiro de 2011.



Revista Cadernos de Campo

A Cadernos de Campo - Revista dos alunos de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo, abre chamada de 15 de janeiro a 15 de março de 2010 para receber artigos, ensaios, resenhas, informes, entrevistas, traduções e produções estéticas, conforme suas instruções para colaboradores.

Os trabalhos devem ser apresentados em três vias impressas, acompanhadas de uma cópia em mídia eletrônica enviada para o e-mail cadcampo@usp.br ou gravada em CD-ROM.

Para acessar o site da revista CLIQUE AQUI.

Abaixo, o endereço para envio das contribuições:

Revista Cadernos de Campo
Departamento de Antropologia - FFLCH/USP
Av. Prof. Luciano Gualberto, 315
São Paulo/SP - Brasil
CEP: 05508-900


Revista Brasileira de Sociologia da Emoção

A RBSE - Revista Brasileira de Sociologia da Emoção está recebendo artigos e resenhas para os seus próximos números de 2011 e 2012.

Os artigos devem ser encaminhados através do e-mail grem@cchla.ufpb.br aos cuidados de Letícia Knutt (secretária da RBSE).

A RBSE é uma revista online do GREM Grupo de Pesquisa em Antropologia e Sociologia das Emoções da Universidade Federal da Paraíba. É uma revista quadrimestral, com edições em abril, agosto e dezembro de cada ano.

Para acessar o site da revista CLIQUE AQUI.


Revista Ciências Sociais & Religião

Estão abertas as submissões on-line para a revista Ciencias Sociales y Religión/Ciências Sociais e Religião (CS&R) n. 14 e 15, a serem lançadas no primeiro e no segundo semestre de 2011. O prazo para apresentação de trabalhos é 20 de abril de 2011. Para submeter artigos a esta revista CLIQUE AQUI.

Revista Sociologia & Antropologia

É com satisfação que comunico a criação de Sociologia & Antropologia revista do nosso Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia - PPGSA - da UFRJ. Nesta ocasião, peço que divulguem esta chamada para submissão de artigos para integrar o primeiro volume (2011) da revista. Os artigos deverão ter no máximo 55.000 caracteres com espaço (incluindo bibliografia) e deverão ser enviados até 30 de março de 2011 para o e-mail revistappgsa@gmail.com.

Breve apresentação da Revista

Sociologia & Antropologia será uma publicação semestral (prevista para os meses de maio e outubro) impressa e digital do Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – PPGSA/UFRJ. O lançamento da revista está previsto para o ano de 2011.
Como o PPGSA nesses últimos anos, Sociologia & Antropologia também pretende contribuir para o fortalecimento de um diálogo profícuo e consistente entre as disciplinas da sociologia e da antropologia cultural em diferentes dimensões, sem que a interdisciplinaridade dilua suas tradições de pesquisa e identidades cognitivas próprias. O diálogo entre essas diferentes disciplinas pretende antes fomentar permanentemente um espaço de comunicação dinâmica entre elas sobre questões empíricas, históricas e analíticas cruciais e, a partir delas e do diálogo que elas mantêm, com outras ciências sociais e humanas. Entendemos, assim, que as exigências de especialização disciplinar da nossa época não se realizam, necessariamente, desacompanhadas de oportunidades de confronto e convergência cognitivas entre as suas diferentes agendas. É isso que o & entre as duas nominações tradicionais das disciplinas pretende simbolizar.
Sociologia & Antropologia destina-se, assim, à apresentação, circulação e discussão de pesquisas originais que contribuam para o conhecimento da realidade sociocultural brasileira e outras, bem como para o aperfeiçoamento teórico e metodológico das diferentes abordagens da Sociologia e da Antropologia Cultural. A revista está por isso aberta à colaboração de pesquisadores de universidade e instituições de pesquisa do Brasil e do exterior, e publicará trabalhos inéditos (no Brasil) em português. Sociologia & Antropologia ambiciona, em suma, constituir-se num instrumento de interpelação consistente do debate contemporâneo das ciências sociais no Brasil e, assim, contribuir para os eu desenvolvimento e aperfeiçoamento. O corpo editorial da revista é composto por professores permanentes do PPGSA e o seu conselho consultivo está em formação junto a pesquisadores de renome de instituições brasileiras e do exterior. A editoria da revista funciona na sede do PPGSA e seu e-mail de contato é revistappgsa@gmail.com.


XXVIII Congresso da ALAS - GTs e Mesas



Estão abertas as inscrições para os Grupos de Trabalho do XXVIII Congresso da ALAS, a ser realizado em Recife (Brasil) entre os dias 06 e 11 de setembro de 2011.

Para acessar o site do evento CLIQUE AQUI.

Resumo do cronograma para submissão de propostas:

    Envio de:Período
    Inscrição on-line de propostas para Grupos de Trabalho01/11/2010 a 23/02/2011
    Inscrição de propostas de mesa redonda (até 5 pessoas, incluindo coordenador)

    12/11/2010 a 09/02/2011


XI Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais

Diversidades e (Des)igualdades é o tema que orientará os debates do XI Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, a ser realizado na Universidade Federal da Bahia, em Salvador, de 07 a 10 de agosto de 2011.


Durante o evento, especialistas em Ciências Sociais e Humanidades de diversos países - especialmente Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Portugal e Brasil - estarão reunidos para debater a diversidade e a complexidade de suas sociedades, privilegiando um enfoque comparativo e confronto de diferentes perspectivas teóricas e metodológicas.

Nesse momento encontram-se abertas as inscrições para Apresentação de Comunicações Individuais. Estudantes de Pós-Graduação e profissionais podem optar entre os 91 Grupos de Trabalho disponíveis em 11 Eixos Temáticos. Serão priorizadas Comunicações de resultados de pesquisa concluída ou em andamento.

Prazo: até 14 de março de 2011

Para acessar o site CLIQUE AQUI.

Obs.: Até o dia 04/02/2011 ele ainda não estava no ar.

A Comissão Organizadora desta edição do congresso é composta por pesquisadores de todas as universidades públicas da Bahia, e coordenada pelo Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO) da Universidade Federal da Bahia.

Maiores informações pelo endereço conlab@ufba.br

IX Reunião de Antropologia do Mercosul

Entre os dias 10 e 13 de julho de 2011 acontecerá em Curitiba (PR), Brasil, no campus da UFPR, a IX Reunião de Antropologia do MERCOSUL, com o tema Culturas, Encontros e Desigualdades.

A IX RAM será organizada pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia e pelo Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que convidam a comunidade acadêmica a apresentar suas propostas de trabalho.

Para acessar as informações do CLIQUE AQUI.


Escrevendo a Tese...


Dia quente em Porto Alegre... muita coisa para ler e escrever. Mas a tese está andando e creio que em final de fevereiro devo estar com ela pronta. Tenho cerca de 150 páginas escritas mais dois capítulos quase prontos. Agora é sentar, ler e escrever.
Os dias passam e as páginas vão se amontoando ao lado dos livros e textos xerocados. Notas por todo o lado e pouca vida social, mas faz parte do processo. Depois que terminar de escrever e defender a tese será o momento de umas merecidas férias, se der, é claro.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ao cair da noite na cidade

Era uma fria noite de inverno e Valérie estava na sacada de seu apartamento no sul do Brasil observando a chuva que caía. Na sua cabeça pensamentos mil acerca das coisas do mundo e de tudo aquilo que a incomodava. Era uma noite de sábado e não havia muito o que fazer na cidade pois estava no meio de um feriado prolongado e seus amigos estavam, a maioria viajando.

Viagens, ela gostava muito de viagens. Mas de um tempo para cá passou a cansar dessa rotina de estar toda hora em um lugar diferente, longe de casa e de suas coisas. Acaba não tendo vínculos com os locais onde estava e seus amigos acabavam se resumindo aqueles que tinham acesso a rede mundial de computadores e lhe escreviam de vez em quando para saber como estava ou para contar alguma novidade.

Já tinha lido muito sobre esse novo conceito de modernidade líquida e fluída e tinha certeza que não era isso que queria para sua vida. Valérie queria fixar raízes para além das conquistas materiais que obtivera até então. Queria viver um grande amor, estar apaixonada e sonhar com um futuro que não fosse somente aquele, de ser uma profissional da web bem sucedida. Queria ser que nem as pessoas comuns e no fim de semana estar em casa com seu amor vendo um filme antigo e sentindo o calor de um abraço carinhoso onde pudesse se aconchegar e livrar-se da frieza nos bits e bites que eram o quotidiano de seu ofício.

Na sala seu laptop aberto no último projeto que estava trabalhando e que dentro de duas semanas a levaria a Milão para apresentar os resultados na sede da empresa multinacional que a havia contratado. Gostava muito da Itália, já estivera lá várias vezes, conhecia Roma, Pádova e Veneza e sonhava com um retorno diferente a estas cidades. Queria lá estar e viver dias inesquecíveis com um homem que lhe fizesse feliz, que lhe fizesse se sentir aquecida e longe do mundo das máquinas e do corre-corre dos projetos que sempre estava executando. Queria amar e sentir-se amada.

E aí estava Valérie, chegando aos trinta anos de idade, bem sucedida profissionalmente, mas com muitos anseios, sonhos e desejos em aberto, olhando a chuva que caía na cidade de Porto Alegre pela sacada de seu apartamento próximo ao centro da cidade. Na rua, pessoas que iam e vinham numa dança caótica de carros e guarda-chuvas que buscavam domicílio entre seus entes amados, que tinham alguém em sua casa esperando-os. Mas Valérie, não. Já estava em casa e a única coisa que a esperava era a fria tela de seu computador para que terminasse o projeto que estava em aberto.

Estava cansada do silêncio mortal que tomava conta do apartamento. Foi até a sala, passou por seu laptop, pegou o Ipod que estava sobre a estante e conectou ao aparelho de som. Ouvi-se um breve clique do reconhecimento da conexão e passou a navegar pelas cerca de oito mil músicas que povoavam a gigantesca memória flash do dispositivo até encontrar o álbum que queria, deu um play pegou o maço de Marlboro Light e voltou a sacada onde, agora, sentada em cadeira tragava lentamente a nicotina para dentro de seus pulmões, sentindo-a tomar posse de seu corpo, dando-lhe uma breve sensação de relaxamento.

A música entrava suave por seus ouvidos e fazia-a viajar em suas lembranças. O álbum escolhido não ao acaso levava-a a regressar a sua última estadia em Montevidéu quando conhecera uma casal de psicólogos que lhe apresentara as musicas de um cantor popular daquelas bandas do Rio da Prata. Seu nome: Eduardo Darnauchans. A música: Cápsulas. Era como dizia a música que ela se sentia naquele momento quando estivera na capital uruguaia, pois, este havia sido um momento difícil de sua vida, onde, pela primeira vez havia ficado cerca de quatro meses longe de seu apartamento, de suas coisas, das pessoas que gostava.

Em sua cabeça entravam os versos de Darno a lhe dizer que: El pobre Juan de Dios tras de los extasis del amor de Aniceta fue infeliz y pasó tres meses de amarguras graves y tras lento sufrir se curó con prosac y con las cápsulas de lexotanil. E que: Enamorado luego de la histérica Luisa una rubia muy sentimental se enflaqueció se fue poniendo tísico y al año y medio o más se curó con el Viagra y con las cápsulas de eter de clertal. Mas que por fim: Desencantado luego de la vida, filósofo sutil a Leopardi leyó y a Shoppenhauer y en un rato de speed se curó para siempre con las cápsulas de plomo de un fusil.

E pensando na música revivia o isolamento daqueles dias frios no exterior quando estava a desenvolver um grande projeto para uma cooperativa de leite da cidade. Os dias e as noites eram frias e as ruas estavam sempre recobertas pelas folhas dos plátanos que povoam a cidade. Prédios antigos e cinzentos de décadas passadas povoam a cidade dando a sensação te estarmos em outro tempo que não o presente.

Mas esse tempo fora do Brasil foi bom para me (re)conhecer e saber as coisas que realmente me incomodam. Nas noites frias uruguaias aprendi a novamente olhar para dentro de mim mesma e com isso aprender a lidar com criaturas que criei, com temores que tenho. Sou parte de uma sociedade esquizofrênica e individualista que se constrói sobre relações superficiais e tênues. Não conhecemos muito dos outros. Só sabemos destes o essencial. Essência que muitas vezes perdemos nos acórdãos peremptórios de nossa vida.

Sozinha no seu apartamento, naquele momento, Valérie queria era encontrar sua própria essência, algo que as agruras da vida tinham tirado dela. O caminho era longo e sabia que não seria nada fácil sair de mais aquela crise. Ah essas crises... elas estavam se tornando cada vez mais freqüentes, mas já se conhecia um pouco mais e sabia, hoje, lidar melhor com isso.

sábado, 12 de junho de 2010

Caindo em espiral no vácuo

É incrível e apavorante, mas não sei descrever nesse momento a tristeza que sinto. Sinto um vazio, um vazio tão grande no meio, algo que agoniza, que corta, que dói. Minha cabeça devaneia, voa longe. O mundo e o fato de eu estar nele parece não ter sentido, parece-me que tenho medo de viver.
Me ocupo coisas poucas e com devaneios irreais que me fazem sofrer, e sofrer muito, mas não consigo excluir tais pensamentos de minha cabeça. O ócio parece deixar-me doente, sem vontade de nada fazer... como agora que estou no bar escrevendo essas reminiscências quando deveria, em verdade, estar escrevendo minha tese de doutorado.
Nesse vazio de algo que parece que está por vir a cabeça pensa coisas mil e medos que temos desde muito tornam-se monstros com os quais passamos a ter que conviver. Não gosto dos monstros que criei, nem quero conviver com eles. Quero libertar-me, mas sinto-me sem forças e tomado pela dor agonizante de sentir-se só, deslocado, sem causa ou porque.
Meus olhos se enchem de lágrimas mas o choro não sai. Meu peito estufa-se na vontade de gritar, mas nem um breve sibilar soturno se faz presente. Preciso reagir, mas não sei exatamente como pois, se não reagir, sinto que vou estagnar. E, parar no tempo.
Pela janela as pessoas vão e vêm num movimento caótico e desordenado, rumam para todos os lados e para lugar nenhum. Rumam para todos os lados, mas as vezes não saem do lugar. E um vai-e-vem que foi, e agora, já é.